
A declaração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de que “infelizmente” a corporação precisou investigar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) acende um alerta vermelho sobre a isenção das instituições brasileiras.
Em uma República, a Polícia Federal é uma instituição de Estado, não de governo. O dever de investigar indícios de crimes deve ser técnico, impessoal e imparcial, independentemente de nomes, cargos ou vínculos familiares.
Ao afirmar que foi “infelizmente” necessária uma investigação, o chefe da corporação transmite a percepção de que a apuração não seria desejável — como se investigar determinadas pessoas fosse algo a ser lamentado. Isso fere o princípio básico do Estado de Direito: a lei não escolhe alvos, nem sente constrangimento ao ser aplicada.
Investigar não é uma opção desconfortável ou um ato de pesar. É uma obrigação funcional, inerente ao cargo e à missão institucional da Polícia Federal.
O Brasil precisa de instituições que atuem com independência, rigor e neutralidade, sem considerar sobrenomes, relações políticas ou conveniências do momento. Quando a aplicação da lei passa a ser tratada como algo “infeliz”, quem perde é a credibilidade do próprio sistema democrático.



