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Hackers da Coreia do Norte invadem software usado por empresas dos EUA

Hackers suspeitos da Coreia do Norte invadiram um software usado por milhares de empresas nos Estados Unidos. Especialistas alertam que o ataque pode levar meses para ser totalmente controlado e avaliar todos os danos.

Os especialistas que estão investigando o caso disseram à CNN que esperam uma campanha de longo prazo para roubar criptomoedas e financiar o regime norte-coreano, que costuma usar o dinheiro roubado em seus programas nucleares e de mísseis.

Na manhã de terça-feira (31), por cerca de três horas, os hackers ligados a Pyongyang tiveram acesso à conta de um desenvolvedor responsável pelo Axios, um software de código aberto.

Durante esse tempo, eles enviaram atualizações maliciosas para todas as empresas que baixaram o software. Isso provocou uma corrida para retomar o controle da conta e para que especialistas em segurança avaliassem os danos.

O Axios é usado por empresas de diversos setores, da saúde às finanças, para construir e gerenciar seus sites. Algumas empresas de criptomoedas e companhias de tecnologia que trabalham com criptoativos também usam o software.

A Mandiant, empresa de inteligência cibernética do Google, disse que um grupo de hackers da Coreia do Norte é responsável pelo ataque.

“Prevemos que eles tentarão usar o acesso que conseguiram neste ataque para roubar criptomoedas de empresas”, disse Charles Carmakal, diretor de tecnologia da Mandiant, à CNN. “Provavelmente levará meses para avaliar o impacto total desta campanha.”

John Hammond, pesquisador de segurança da Huntress, afirmou que sua empresa identificou cerca de 135 dispositivos comprometidos, pertencentes a aproximadamente 12 empresas. Mas isso representa apenas uma pequena parte das vítimas, que deve aumentar à medida que mais organizações descobrirem que foram hackeadas.

Este é apenas o último grande ataque à cadeia de suprimentos atribuído a Pyongyang. Há três anos, hackers norte-coreanos invadiram outro software popular usado por empresas de saúde e redes de hotéis para chamadas de voz e vídeo.

O corpo de hackers da Coreia do Norte é uma fonte crucial de receita para o país, que possui armas nucleares e está sob sanções internacionais. Nos últimos anos, hackers norte-coreanos roubaram bilhões de dólares de bancos e empresas de criptomoedas, segundo relatórios da ONU e de empresas privadas.

Um funcionário da Casa Branca disse em 2023 que cerca de metade do programa de mísseis norte-coreano é financiada por esses ataques digitais.

No ano passado, hackers do país roubaram US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) em criptomoedas em um único ataque, o maior da história.

“A Coreia do Norte não se preocupa com sua reputação ou em ser identificada, então, embora essas operações sejam muito visíveis, é um preço que eles estão dispostos a pagar”, disse Ben Read, diretor de inteligência estratégica da Wiz, também do Google.

Hammond descreveu o ataque como “perfeitamente cronometrado”, por causa do uso crescente de agentes de inteligência artificial que desenvolvem software nas empresas “sem revisão ou proteção”.

“A maior vulnerabilidade de toda a cadeia de suprimentos de software hoje é que há uma porta aberta, porque muitas pessoas não conferem mais o que está sendo incluído nos componentes”, explicou Hammond à CNN.

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