
Atualizado em 16 de outubro de 2025
Na madrugada desta quarta-feira (16), Israel intensificou ataques aéreos no sul do Líbano, incluindo a cidade de Bnaaful, no distrito de Jezzine, atingindo supostos depósitos de armas do Hezbollah. As operações marcam uma escalada nas tensões após o ceasefire de novembro de 2024, que deveria limitar confrontos entre o grupo xiita e as Forças de Defesa de Israel (IDF).
Em 11 de outubro, ataques israelenses em Msayleh, próximo a Sidon, destruíram centenas de veículos pesados e provocaram 1 morte e 7 feridos, conforme dados do Ministério da Saúde libanês. Um drone também atingiu um veículo em Burj al-Qalaouiyah, resultando em mais uma vítima fatal. Vídeos compartilhados nas redes sociais confirmam a sequência de strikes, que ocorreram pouco depois de um cessar-fogo em Gaza reduzir hostilidades no sul de Israel, mas sem pacificar a fronteira libanesa.
O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou os ataques como “agressão contra infraestrutura civil” e pediu intervenção da ONU. Israel, por sua vez, justificou as ações como medidas preventivas contra a reconstrução de lançadores de foguetes do Hezbollah. Desde o ceasefire, segundo a ONU, 103 civis foram mortos em violações de trégua, refletindo um cenário frágil na região, com impactos diretos nas negociações envolvendo Irã, Hezbollah e Rússia.
Detalhes dos ataques
Os raids em Bnaaful, confirmados por testemunhas e redes sociais, envolveram caças F-16 e drones israelenses, atingindo supostos depósitos de armas em áreas montanhosas usadas para contrabando desde 2023. Em Msayleh, as operações causaram incêndios e ferimentos de civis em rodovias próximas. Israel descreveu as ações como “preventivas” para evitar a regeneração do arsenal do Hezbollah, que perdeu grande parte de sua capacidade durante o conflito de 14 meses encerrado em 2024.
Reações internacionais
O Líbano condenou imediatamente os ataques, com o presidente Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam pedindo responsabilização internacional e sanções. Israel manteve a posição de que os strikes são essenciais à segurança nacional, enquanto a União Europeia e a França pedem cessar as violações e garantem acesso a jornalistas. O Irã declarou solidariedade ao Hezbollah, e a Rússia criticou a fragilidade do ceasefire mediado pelos EUA.
Impacto geopolítico
Analistas destacam que os ataques reforçam a postura preventiva de Israel, mas aumentam o risco de instabilidade no sul do Líbano. Tropas israelenses estão reposicionadas no norte, enquanto civis enfrentam deslocamentos e crises humanitárias. A situação também influencia negociações regionais, envolvendo Síria, Gaza e o eixo Irã-Rússia-China.


